Já era de se esperar que a Audemars Piguet reservaria algo fantástico para fechar as celebrações dos 150 anos de uma das marcas de alta relojoaria mais desejadas e exclusivas do mundo. Mas o que se viu na segunda-feira (2) e na terça-feira (3) no AP Social Club, no The Chedi (hotel cinco estrelas no Forbes Travel Guide), em Andermatt, no centro-sul da Suíça, foi algo de fato histórico, que os seletos colecionadores convidados vão levar para sempre no coração – e no pulso.
Orgulhosa de pertencer ainda às famílias fundadoras de Jules Louis Audemars e Edward Auguste Piguet desde 1875 quando iniciaram a saga em Le Brassus, no Vale de Joux, a maison apresentou nesse evento fechado, entre montanhas nevadas cinematográficas e temperaturas abaixo de zero, 24 lançamentos. Um deles pode ser considerado uma obra-prima: o relógio de bolso 150 Heritage com calendário universal, movido pelo Calibre 1150.
É uma edição limitada a duas peças de 50 milímetros de diâmetro e 23,4 de espessura: espaço suficiente para 1.099 componentes desempenharem 47 funções movidas por 30 complicações. Um verdadeiro espetáculo desenvolvido em apenas 18 meses por uma equipe de cinco pessoas encabeçadas por uma lenda vida da relojoaria, o italiano Giulio Papi. Presente em Andermatt, Papi levava no rosto o sorriso do pai que observa seu recém-nascido na maternidade.
“É uma peça muito especial porque é o carro-chefe dos lançamentos da marca deste ano, uma obra de arte que celebra os 150 anos e o futuro da Audemars Piguet”, disse Papi com brilho nos olhos. “Um relógio que presta homenagem à jornada da humanidade com a medição do tempo. Ele honra os astrônomos e os primeiros cientistas que olharam para o céu, os matemáticos que dividiram o tempo e os relojoeiros que o tornaram visível.”
O Calendário Universal do 150 Heritage inclui feriados hindus, judeus, budistas e muçulmanos, além de festas católicas e datas chinesas importantes. É o terceiro relógio de bolso ultra-complicado da AP. Os dois anteriores foram lançados em 1899 (L’Universelle) e em 1921 (Grosse Pièce) – esse segundo (também exibido no hotel The Chedi) foi adquirido pela marca em leilão por US$ 7,7 milhões, em dezembro passado.
Calendário perpétuo esqueletizado
Palmas também para os modelos equipados com o Calibre 7139: um novo movimento automático de calendário perpétuo esqueletizado – a luz atravessa a peça e exibe seu mecanismo; você esquece que está vendo as horas e fica hipnotizado com a beleza da máquina.
Trata-se da alma de dois relógios que já nascem icônicos: Code 11.59 em dois tons e o Royal Oak de titânio e BMG (Bulk Metallic Glass), ambos de 41 milímetros e mostradores de safira. O novo calibre incorpora o sistema patenteado de correção do calendário perpétuo pela coroa (sem a necessidade de outras ferramentas), lançado em 2025 com o Calibre 7138, após cinco anos de desenvolvimento (isso é um tremendo alívio para quem tem um calendário perpétuo e morre de medo de quebrá-lo ao tentar um ajuste).
Inovações pioneiras concentradas em uma espessura de 4,1 milímetros, capaz de garantir uma reserva de marcha de 55 horas (sem precisar dar corda). Pioneirismo, aliás, não uma é qualidade recente da Audemars Piguet – basta lembrar que foram eles que criaram o primeiro movimento de repetição de minutos em relógio de pulso em 1892 (mecanismo que permite que o relógio “fale” por meio de diferentes tipos de sons para avisar uma hora pré-determinada).
Cerâmica azul
Outro lançamento que já entra de cara nos anais da AP é o Royal Oak Selfwinding Perpetual Calendar, de 41 milímetros. Ele mescla o azul emblemático do Royal Oak original (Bleu Nuit, Nuage 50); o material mais moderno e complexo de ser trabalhado (a cerâmica) e o Calibre 7138 (com ajuste pela coroa). É um desafio técnico enorme para a indústria relojoeira conceber uma peça em que a caixa e a pulseira tenham a mesma tonalidade. Mas é aí que a expertise de uma maison de 150 anos faz a diferença: tecnologia de ponta aliada ao acabamento manual tradicional. O modelo em cerâmica tem a vantagem de ser mais leve do que os relógios feitos em aço ou ouro, detalhe que acentua a conforto de um uso diário.
Royal Oak Offshore
O azul característico da marca também se fez presente na linha que trouxe designs criativos para o Royal Oak Offshore Selfwinding Chronograph, de 43 milímetros. Um dos dois modelos apresenta caixa de cerâmica Bleu Nuit, Nuage 50, que harmonizou muito bem com a pulseira intercambiável em couro de bezerro texturizado azul. O visual bicolor apresenta um mostrador bege com o padrão Méga Tapisseire. O outro modelo vem com caixa de titânio realçada por um bisel, botões e coroa em cerâmica preta. A robusta pulseira de borracha cinza-esverdeada é intercambiável e confere um ar esportivo para a peça. Em comum, esses dois cronógrafos devem sua vida ao Calibre 4401.
Não pense, no entanto, que o AP Social Club se resumiu a uma base de lançamentos da marca. A programação proporcionou um profundo mergulho em experiências de relojoaria divididas em 16 estações que tiveram como tema central O Ofício de Tempo. De exercícios de respiração até demonstrações de robótica – passando pela elaboração de componentes minúsculos, aprendizado de gemologia e engenharia mecânica, o evento deixou uma sensação de encantamento que certamente irá ultrapassar os picos nevados e escarpados de Andermatt.












As palavras da CEO Ilaria Resta
Todos os momentos marcantes destes dois dias na Suíça foram pontuados por palavras e discursos cheios de energia da italiana Ilaria Resta, CEO da Audemars Piguet – da abertura ao encerramento, com o jantar surpresa de cinco etapas preparado pelo chef Sven Wassmer (três estrelas Michelin) em um antigo bunker nas montanhas.
“2026 será o novo começo dos próximos 150 anos de história da empresa. Pensamos muito sobre quais serão as escolhas para os próximos 150 anos. E há uma lição fundamental que vamos seguir: o desempenho não pode se dissociar do propósito. E o propósito da Audemars Piguet é se manter uma empresa familiar independente nos próximos 150 anos”, garantiu Ilaria.
“Trata-se de um compromisso a longo prazo. Gostaria de promover um crescimento que seja sustentável, gradual, confiável e contínuo, baseado em novos clientes, na fidelização e no reconhecimento dos clientes existentes. Agora, 11% de nossa base de usuários pertence à Geração Z. Isso é maravilhoso. Estamos falando de pessoas muito jovens, que poderiam usar um smartphone ou digitalizar toda sua rotina, mas que escolheram o analógico, o mecânico, para marcar o tempo de suas vidas.”

